O prazo de retorno de uma aplicação é um importante indicador de risco. Quanto menor este prazo, menor também é a chance da solução desenvolvida tornar-se obsoleta e mais flexível se torna a organização na adoção de novas tecnologias. Além disto, prazos de retornos menores possibilitam o desenvolvimento de soluções intermediárias que vão substituindo ao longo do tempo as soluções deficientes evitando o longo prazo de espera de uma substituição integral.
Decisões relativas ao desenvolvimento de software são permanentes? Conhecidos os prazos e esforços associados a decisões deste tipo gostaríamos de acreditar que sim. O problema é que tecnologias evoluem e novas soluções rapidamente tornam ultrapassadas as soluções existentes. Como exemplo, posso citar decisões recentes vividas ao longo de minha carreira: organizações que decidiram por soluções centralizadas baseadas em mainframes e terminais burros a menos de 12 anos atrás se viram obrigadas a rever suas opções e direcionar suas estratégias para o desenvolvimento de sistemas baseados na web. Infelizmente, se a organização não conseguiu obter retorno suficiente do sistema antigo para cobrir seus custos de desenvolvimento, todos os seus esforços resultaram em um ROI negativo. Para estes casos, o prazo de retorno de uma solução - o ponto no tempo após o seu desenvolvimento onde seus benefícios equivalem-se aos seus custos - é uma medida crítica de seus riscos e deveria ser encarada também como uma importante medida a respeito da flexibilidade da organização.
RISCOS
Para a avaliação de riscos, quanto maior o prazo de retorno de uma aplicação, maiores as chances de ocorrência de dois tipos de riscos: tecnológicos ou financeiros.
Riscos tecnológicos são os riscos de uma nova tecnologia tornar as soluções existentes obsoletas. O surgimento da internet apresentou numerosos exemplos de aplicações clientes-servidores bem projetadas e desenvolvidas mas que tornaram-se obsoletas praticamente de um dia para o outro. Diversas organizações que investiram em projetos clientes-servidores de longo prazo se viram forçadas a abandonar estas aplicações e partir para o desenvolvimento de aplicações baseadas na web. Aquelas que optaram por projetos com prazos de retorno menores provavelmente conseguiram recuperar seus custos antes de descartar a aplicação integralmente.
Os riscos financeiros são aqueles onde um fator não-tecnológico influencia a aplicação. Fusões, aquisições, mudanças no quadro gestor e pressões competitivas influenciam a infra-estrutura corporativa tecnológica e pode reduzir a chance de se obter o ROI esperado.
FLEXIBILIDADE
Você pode não desejar mudar para uma nova tecnologia - mas seu competidor pode. No atual ambiente extremamente competitivo do mercado, adotar aplicações com logos prazos de retorno influencia de forma negativa a habilidade corporativa de reação rápida às oportunidades trazidas pela nova tecnologia. Organizações tradicionais estabelecidas apenas no mundo físico apresentaram grandes dificuldades em se estabelecer no mundo virtual. Elas gastaram um tempo considerável integrando seus processos existentes e soluções legadas enquanto organizações “virtuais” estabeleceram-se muito rapidamente. Seus sistemas de groupware alcançaram seus fornecedores e clientes? Organizações com sistemas de mensagens legados vêm reagindo vagarosamente aos benefícios de uma extranet e estão se distanciando de iniciativas mais flexíveis. Estas organizações estão sobrecarregadas com os custos de decisões tomadas anos atrás.
Uma vez alcançado o prazo de retorno é necessária a contínua avaliação dos benefícios de todas as soluções existentes e o rápido descarte daquelas tornadas obsoletas por qualquer nova tecnologia.
DESENVOLVER E SUBSTITUIR
A flexibilidade alcançada pela adoção de curtos prazos de retorno oferece uma oportunidade para avaliar soluções de software de curto prazo ou descartáveis. Você pode decidir que uma solução perfeita leve três anos para ser desenvolvida, mas uma solução temporária pode prover benefícios reais à corporação neste interim. O cálculo do prazo de retorno permite o desenvolvimento rápido de uma solução, sabendo-se que mesmo incompleta, sua intenção é de ser substituída em um futuro de curto prazo.
Seguir uma estratégia de desenvolvimento e substituição pode ser uma forma mais efetiva de se maximizar o ROI para a corporação. Implementar imediatamente uma boa solução enquanto se planeja uma solução futura melhor ou mais completa, possibilita o aumento do retorno imediato do ROI enquanto oferece a flexibilidade de mudança de direção futura no caso do estabelecimento de uma nova tecnologia.
Set 01
Agosto 31st, 2009 at 10:18 pm
Muito interessante a publicação. Mas também isso é uma ciência muito inexata por não termos uma bola de cristal. As corporações que tomaram decisões há anos atrás que hoje custam caro a elas não poderiam imaginar o boom dos anos 90 em que tudo fica obsoleto rapidamente. Muitos sistemas legados continuam vivos como os sistemas bancários rodando COBOL justamente porque a tentativa de migrá-los para tecnologias mais novas tornaria o tempo de desenvolvimento proibitivo e com certeza a solução em andamento ficaria obsoleta muito antes de terminar além de inserir inúmeros bugs já resolvidos pela maturidade do sistema legado. Exemplos assim sempre existirão, não porque a decisão tomada foi errada, foi a certa dada uma época. Depois o que resta é criar tecnologias de interoperabilidade para o que ficou legado.