A decisão sobre a terceirização das atividades de segurança é hoje um tema recorrente aos principais CIO’s e CSO’s de diversas organizações.

Trata-se de uma análise difícil, sem muitos casos (de sucesso ou não) já finalizados que poderiam servir de orientação.
À despeito disto, muito do que se tem dito a respeito do tema pode ser visto como uma visão distorcida ou até mesmo um falso juízo. Posso citar alguns exemplos:
1 - Terceirizar as atividades de segurança é mais barato do que executá-las internamente. Custo é normalmente uma das principais razões pela qual os executivos se interessam por um processo de terceirização. Todavia, diversos institutos e empresas de pesquisa têm constantemente apontado que para os gerentes de segurança, o custo não é a principal razão pela qual se deseje terceirizar esta atividade. Apontam também que o processo de terceirização nem sempre se traduz em redução de custos. De fato, muitas organizações acabam gastando mais no cenário de terceirização. Elas se predispõem a gastar mais recebendo em contrapartida novas competências e capacidades, como um monitoramento 24×7 de suas atividades ou avaliações de conformidade.
2- A terceirização das atividades de segurança significa transferência de riscos. Você pode transferir a responsabilidade da execução da atividade mas não pode transferir a responsabilidade pela execução da atividade em um processo de terceirização. Uma consideração importante deve ser feita ao aspecto relativo ao gerenciamento de riscos do negócio terceirizado. Você nunca será capaz de transferir todos os riscos relativos à proteção de seus dados para um terceirizado mas você pode limitar a quantidade de risco assumida ao desenvolver cláusulas de direito à auditoria, acordos de níveis de serviço e delimitando de maneira clara as responsabilidades de cada um em contrato.
3 - Uma vez que os serviços de segurança vêm se tornando commodity, posso alugar um terceirizado por um custo menor. A complexidade, escopo, duração e os riscos de negócio de um processo de terceirizaçao torna a maioria dos contratos de aquisição de hardware e software quase ínfimos. Transferir uma tecnologia ou processo crítico ao negócio a um terceiro altera o perfil de risco da organização. Você deve procurar conhecer além das capacidades técnicas durante a avaliação de seus possíveis fornecedores. Pense nisto mais como uma parceria onde o alinhamento entre as culturas e filosofias corporativas executa um papel significante no sucesso da relação.
4 - Se minhas atividades de segurança estão em uma desordem, tercerizá-las é a solução. O famoso adágio “lixo dentro - lixo fora” se aplica aqui. Se seus processos e suas operações de segurança estão desordenados, terceirizá-los não solucionará o problema. É importante que você estabilize seus processos de segurança e fortaleça suas operações antes de terceirizar suas atividades de segurança. A terceirização pode auxiliar na ampliação dos controles operacionais, mas as chances de sucesso também são ampliadas se a organização tiver uma compreensão clara de seus processos, expectativas e produtos.
5 - Terceirizar as atividades de segurança é a maneira mais rápida de se ter controles de segurança implementados. Prepare-se para uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Terceirizar as atividades de segurança exige força e persistência durante um longo período de tempo, que pode eventualmente ser diminuído, todavia com aumento significativo dos riscos. É apropriado se planejar para algumas conquistas mais rápidas mas leva tempo para o relacionamento junto ao terceirizado se tornar maduro. Organizações que terceirizaram suas operações de segurança com sucesso reportaram que levaram de seis a dezoito meses para normalizar as relações de parceria junto a seus terceirizados.
Terceirizar as atividades de segurança não é para qualquer um e nem para qualquer cenário. Por isto, antes de se aventurar neste processo, avalie os impactos da terceirização em cada situação particular. Tenha também expectativas bem realistas a respeito da futura parceria. É importante estabelecer as diligências obrigatórias e garantir as responsabilidades apropriadas como parte do contrato, mas é mais importante confiar em seu fornecedor e trabalhar no sentido de aprimorar esta parceria.
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