A nova versão da biblioteca de melhores práticas para o gerenciamento de T.I. - ITIL V3 - traz um novo desafio aos responsáveis pela governança de T.I. nas organizações: como apresentar seus novos conceitos à equipe de gestão de T.I., ao CIO e até mesmo ao próprio negócio? O conceito de ‘Ciclo de Vida dos Serviços’ introduzido pela nova versão requer apoio e um patrocínio que ultrapassa os domínios do departamento de T.I. A Estratégia de Serviços deve ser vendida à toda a organização e seu real valor precisa ser demonstrado.
Em um cenário fictício, onde o departamento de T.I. já tenha alcançado um alto nível de maturidade e onde a Governança de T.I. já faça parte de sua cultura diária, três pilares provavelmente a sustentam:
- Gerenciamento dos Serviços de T.I.
- Gerenciamento do Portifólio de Projetos
- Arquitetura Empresarial
Normalmente, diferentes equipes cuidam de cada uma destas iniciativas e infelizmente, não conversam entre si.
A equipe responsável pelo Gerenciamento do Portifólio de Projetos (também conhecido como PPM - Project Portfolio Management) levanta as demandas e requerimentos do negócio, classifica-as, categoriza-as e, anualmente, executa algum tipo de planejamento após alguns exercícios orçamentários. Esta equipe pode colaborar com a equipe responsável pela Arquitetura Empresarial no sentido de compreender melhor os impactos das novas demandas junto à arquitetura da organização. Pode interagir também com a equipe de Gerenciamento dos Serviços de T.I. nas atividades de Gerenciamento da Capacidade e Gerenciamento de Níveis de Serviço para uma melhor avaliação destas demandas.
A equipe responsável pela Arquitetura Empresarial (Enterprise Architecture -EA) tem como atividades principais a documentação de uma arquitetura básica, a definição de uma arquitetura alvo (ou de transição em alguns casos) baseada nos objetivos e na estratégia de negócio e a identificação de novas oportunidades e projetos. Uma vez identificadas estas novas iniciativas, elas poderão posteriormente ser incluídas na lista de projetos da organização e passar a serem geridas pela equipe do Gerenciamento do Portifólio de Projetos.
Com a V3, a situação torna-se um pouco mais complexa e exige uma nova forma para se estabelecer o início de novos projetos. Esta nova visão é baseada na criação de novos serviços que serão incluídos no Portifólio de Serviços. No passado com a V2, as equipes operacionais possuíam uma atuação reativa. Com a versão 3, a Estratégia de Serviços considera a perspectiva dos negócios e propõe atribuir ao Gerenciamento dos Serviços de T.I. a responsabilidade sobre o lançamento de novos projetos.
Não é um pouco confuso? As organizações que já tenham implementado o Gerenciamento do Portifólio de Projetos e eventualmente definido a Arquitetura Empresarial irão mudar sua forma de definição e lançamento de novos projetos? Devemos chegar junto aos nossos CIO’s e dizer: “com a versão 3, devemos iniciar com uma Estratégia de Serviços e considerar o PPM e a EA, em paralelo ou talvez posteriormente”? De formal alguma! Devemos ir aos nossos parceiros de negócio e reivindicar que a V3 se torne a nova forma para a criação de projetos e serviços? Talvez não.
Está bem claro que nenhum destes frameworks deve ser considerado melhor do que o outro. Todos eles incluem algumas referências e até mesmo partes de cada um dos demais. O que pode ser afirmado, é que a V3 torna nossas escolhas mais difíceis e um departamento de T.I. já maduro precisará avaliar onde a Estratégia e o Desenho de Serviços encaixarão nos seus frameworks de governança… ou considerar que V3 realmente seja o mais inovador deles e forçe uma mudança completa na cultura da organização.
Basedo em artigo publicado por Serge Thorn em 20/12/2007.
Comentários Recentes